JORGE LUÍS SILVA, ARTIGO - "FERNANDO TAVARES SABINO, O HOMEM QUE MORREU MENINO"
por Jorge Luís R. Silva
"OS MOVIMENTOS SIMULADOS", de Fernando Sabino - era essa a minha leitura no último domingo, um dia antes de sua despedida. Para quem ainda não sabe, esse livro foi escrito por ele em seus 22 anos de idade, quando morava "de castigo" em Nova Iorque. Depois de muito tempo, resgatando-o de seus arquivos, Fernando Sabino resolveu publicá-lo, incluindo-o na divulgação do que ele mesmo chamava de "obra póstuma antecipada". Logo no início da leitura, foi fácil me refamiliarizar com os traços da descrição cotidiana, característica marcante em sua obra, coisa que dominou como poucos (ou ninguém). Comecei a relembrar os outros livros, entre eles "O encontro marcado", "O Grande Mentecapto" e "O Menino no espelho", que tanto marcaram minha recente experiência literária, pra não dizer também da minha experiência de vida.
Já na segunda-feira, pretendendo continuar aquela leitura, ao ligar a televisão, recebi o golpe: Fernando Sabino, o nosso escritor, partira às 13 horas daquela tarde. Primeiro, o descrédito. Depois, a ficha caindo, junto com o ânimo de uma segunda de pré-feriado. Partira a semente de Eduardo Marciano, e do menino Fernando. Impossível não sentir um rombo, o faltar de algo na realidade - como muitos disseram, impossível não ficar um pouco órfão.
A leitura, não tive coragem de continuar naquele dia, temendo reencarar aquele que de uma hora pra outra tornou-se o definitivo último livro publicado, de Fernando Sabino. De um estalo, comecei a enxergar a coincidência - era o último romance, e o primeiro. Era essa natureza tão real, tão sua, atuando novamente, religando as coisas, como se todos os movimentos fossem sincrônicos, simulados, como realmente o são. Compreendi, embora ainda desolado. Compreendi.
Durante a semana, retomei a coragem, e a leitura. E logo, o ânimo. Em cada novo movimento, entendi a inevitável presença de Fernando Sabino, a sua marca. E aí sim, pude finalmente entender - a semente não partira! Estava ela ali, fragmentada em várias partes, em toda sua obra - Eduardo, Geraldo, Fernando, quantos! E com essa luz, compreendi a imortalidade dos grandes autores.
E nessa nova conclusão, quase me flagrei a dizer: "Fernando, seja novamente bem vindo."
Já na segunda-feira, pretendendo continuar aquela leitura, ao ligar a televisão, recebi o golpe: Fernando Sabino, o nosso escritor, partira às 13 horas daquela tarde. Primeiro, o descrédito. Depois, a ficha caindo, junto com o ânimo de uma segunda de pré-feriado. Partira a semente de Eduardo Marciano, e do menino Fernando. Impossível não sentir um rombo, o faltar de algo na realidade - como muitos disseram, impossível não ficar um pouco órfão.
A leitura, não tive coragem de continuar naquele dia, temendo reencarar aquele que de uma hora pra outra tornou-se o definitivo último livro publicado, de Fernando Sabino. De um estalo, comecei a enxergar a coincidência - era o último romance, e o primeiro. Era essa natureza tão real, tão sua, atuando novamente, religando as coisas, como se todos os movimentos fossem sincrônicos, simulados, como realmente o são. Compreendi, embora ainda desolado. Compreendi.
Durante a semana, retomei a coragem, e a leitura. E logo, o ânimo. Em cada novo movimento, entendi a inevitável presença de Fernando Sabino, a sua marca. E aí sim, pude finalmente entender - a semente não partira! Estava ela ali, fragmentada em várias partes, em toda sua obra - Eduardo, Geraldo, Fernando, quantos! E com essa luz, compreendi a imortalidade dos grandes autores.
E nessa nova conclusão, quase me flagrei a dizer: "Fernando, seja novamente bem vindo."
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